Sabe,
os jovens tem três coisas em comum, todos eles, ou pelo menos a grande maioria.
Eles são apaixonados, querem mudar o mundo, e
são extremamente arrogantes e orgulhosos.
Eu
era os três, mas adivinha só. O tempo não deixa ninguém continuar desse jeito.
A vida te ensina que o amor não existe, e ela faz isso da pior e mais dolorosa maneira possível. Ela te mostra que por mais orgulhoso e arrogante que você seja, haverá sempre alguém melhor. E quando você tenta mudar o mundo, ele te bate com tanta força que você chega a perder o rumo.
A vida te ensina que o amor não existe, e ela faz isso da pior e mais dolorosa maneira possível. Ela te mostra que por mais orgulhoso e arrogante que você seja, haverá sempre alguém melhor. E quando você tenta mudar o mundo, ele te bate com tanta força que você chega a perder o rumo.
E mesmo assim eu tentei, tentei mudar o mundo
de todas as formas possíveis, eu fui a passeatas, fui a clubes de debates,
discuti com pessoas, eu até tentei virar politico.
Mas não adiantava, as pessoas continuavam sendo estupidas, a desigualdade
continuava a existir e as mortes nunca paravam.
Então eu realizei que não tinha
como mudar o mundo, pelo menos não pacificamente. Juntei-me a um grupo de
alguns outros que pensavam como eu, nós começamos como vândalos, quebrando
bancos, pontos turísticos e locais políticos da cidade. Pois é, eu estava lendo
muito Palahniuk.
A
primeira vez que matei foi um policial, ele atirou em um de nós enquanto nós
derrubávamos o relógio da estação da luz. Ele não merecia morrer, mas entrou no
nosso caminho. A segunda vez foi um vereador qualquer, foi logo após nós
decidirmos que se a policia só se preocupava com os bandidos errados, nós é que
cuidaríamos dos bandidos certos, mas não iriamos prender ninguém.
E
dessa vez eu gostei.
A
nossa ultima ação foi aqui mesmo, em São Paulo. A presidente ia vir aqui fazer
um discurso para as pessoas, era doze de outubro, Dia das Crianças e também de
Nossa Senhora.
Não haveria data melhor,
ninguém iria suspeitar que a pessoa mais poderosa do Brasil ia ser morta bem
ali, na frente de milhares de Brasileiros, e transmitido para milhões pela Tevê
bem no dia de Nossa Senhora. Era o plano perfeito.
E
deu certo, matamos a desgraçada, o sangue escorria por todo o palanque, mas o
nosso plano só tinha um lado, não sabíamos como fugir, e ninguém ali queria
morrer, nem ser preso. Foi assim que começou a chacina.
Duas
dúzias de assassinos e revolucionários, trocando tiros contra dezenas, talvez
centenas de policias e no meio uma multidão de civis, era dia das crianças.
Tentei
correr pela rua, naquela hora a revolução tinha acabado, tudo que eu sentia era
medo.
Na minha frente, um porco
fardado. Atirei, matei. Eu já ia voltar a correr quando eu vi. Uma negra, e uma
criança nos braços deitados no chão sangrando, morrendo. O que eu fazia ali? Eu
me tornei naquilo que eu lutava contra. Naquela hora eu me arrependi. A criança
e sua mãe estavam mortas, e o pior era Dia das Crianças e de Nossa Senhora de
Aparecida.
E
foi assim que na minha ânsia de mudar o mundo, o mundo acabou.
Eu deixei o mundo me mudar.
Eu deixei o mundo me mudar.

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