terça-feira, 23 de setembro de 2014

Noite

Estávamos sentados ali já fazia um bom tempo. A noite já chegara e com ela a lua e as estrelas, ao meu ver uma lua especialmente cheia, parecia querer desafiar a minha amada para decidir qual é a mais bela. Dei-lhe um beijo e deitei, admirando o céu e sua infinitude, ela fez o mesmo. Passamos alguns minutos em silencio, apenas admirando como algo pode ser tão dúbio como a noite, ao mesmo tempo que é escura, é brilhante, ao mesmo tempo que é enorme, parece pequeno e feito somente para nós. Ela me fitou com aqueles grandes olhos castanhos e disse : — Sabe, vai chegar um dia, distante ou próximo, você vai estar diferente, eu também. — Tornou a observar a imensidão da noite. — Quando esse dia chegar, você não vai mais me querer, vai ir embora e nunca mais vai voltar. Você me conhece, vou chorar por um tempo, mas vai passar. Por mais alguns minutos o silencio pareceu eterno e cruel. — Mas, tenho que admitir. — Disse ela, voltando a me encarar. — Jamais se farão noites tão bonitas quanto esta.